Para alcançar a efetiva proteção dos segurados é ser um profissional crítico e criterioso na análise dos riscos e na escolha dos produtos mais adequados às necessidades das diferentes classes de segurados

Temos uma visão bastante clara sobre o papel do corretor de seguros, conforme tivemos a oportunidade de debater com centenas de corretores nos ciclos de palestras sobre Direito de Seguros, realizados nos últimos anos na maior parte das Unidades da Rede Lojacorr em todo o país.

Para nós, o corretor deve se comportar como um consultor perante os seus clientes e nunca como um vendedor de seguros, pois não existe mais espaço para amadorismo no nosso setor. Sem esta postura de responsabilidade, jamais poderá cumprir a sua missão de proteger, a qual se caracteriza na própria função social do seguro.

Um dos pilares básicos para alcançar a efetiva proteção dos segurados é ser um profissional crítico e criterioso na análise dos riscos e na escolha dos produtos mais adequados às necessidades das diferentes classes de segurados (as pessoas físicas, as empresas, as grandes empresas etc.), funcionando como primeiro filtro na análise de qualidade dos produtos e serviços disponíveis no mercado de seguros.

A relação do corretor de seguros com os segurados é tão ou mais importante que a relação do corretor com a seguradora, pois na maioria das vezes o corretor representa o único contato que o segurado tem com o seguro contratado.

Tanto é assim que em um número expressivo de casos o consumidor não sabe exatamente com qual companhia de seguros tem contratado o seu seguro. Sabe somente que o seu corretor, que funciona como um “homem de segurança”, contratou o seu seguro.

A RELAÇÃO DO CORRETOR DE SEGUROS COM OS SEGURADOS É TÃO OU MAIS IMPORTANTE QUE A RELAÇÃO DO CORRETOR COM A SEGURADORA PORQUE ELE É O ÚNICO CONTATO QUE O SEGURADO TEM COM O SEGURO CONTRATADO

Robson Luiz Schiestl Silveira

Por isso, para proteger o cliente é preciso ter muito claro que o segurado deposita toda a confiança – e confia a proteção do seu patrimônio – ao corretor de seguros, que tem a obrigação de atuar como um representante de seus direitos, além de auxiliá-lo em todas as fases e etapas da relação contratual, e não apenas no momento da contratação do seguro.

É preciso ter em mente que apesar dos avanços tecnológicos, a maioria das pessoas e das empresas são neófitas em matéria de seguros. Por outro lado, o formato de comercialização contemporâneo não colabora em nada para que exista um conhecimento prévio e efetivo das condições contratuais do negócio que foi celebrado. Sobretudo porque em geral são disposições e cláusulas complexas que não permitem ao consumidor compreender sua interpretação e a sua extensão.

Por fim, a missão de proteger exige que o corretor tenha consciência de que a atividade do corretor de seguros não é uma tarefa estática e monótona, muito pelo contrário. As constantes mudanças nos mais diversos tipos de produtos disponíveis no mercado, exigem permanente treinamento e atualização. Isso porque, tendo em vista que sem conhecimento, os corretores não terão condições de assessorar da melhor forma os seus clientes e por consequência não cumprirão a sua missão de proteger, estando ainda sujeitos às sanções inerentes à responsabilização profissional, sendo crescente no âmbito judicial a noção de que o corretor de seguros tem uma função que contém algumas obrigações fragmentárias de resultado.

 

Fonte: ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA CORRETORA DO FUTURO

27ª edição | ano 5 | 2019 | jan/fev/mar