Da digitalização à competição fora dos limites tradicionais

 

A digitalização está mudando o comportamento da sociedade e reordenando radicalmente os limites dos setores econômicos. Quais os impactos dessa nova economia sem fronteiras?
É difícil categorizar empresas como Amazon, Google e Apple que não são restritas a um setor específico, diferente do modelo que estamos acostumados da indústria tradicional que geralmente atuam em um único segmento.

Na revolução digital assistimos à redução drástica dos custos de transação e a aceleração exponencial do compartilhamento de dados, a onipresença das interfaces móveis e o crescente poder da inteligência artificial. O combinado dessas forças está remodelando as expectativas dos clientes e criando potencial para todos os setores, redesenhando ou redefinindo essas fronteiras em um ritmo mais rápido do que o experimentado em anos anteriores.

Neste contexto, as expectativas dos clientes estão mudando. Assim, empresas que antes pareciam desconectadas se encaixam perfeitamente e desencadeiam novas sinergias surpreendentes. Um bom exemplo é o telefone celular que passou de um simples aparelho de comunicação para uma grande potencial interface de múltiplos serviços ou a TV na sala com diversos aplicativos e conectividade etc.
Com esse novo cenário sem fronteiras, as empresas que não nasceram digitais, estão pensando seriamente em suas oportunidades e ameaças intersetoriais. Uma grande preocupação é o fato de as digitais terem uma visão mais clara sobre os seus clientes. Com isso, começou uma grande correria por dados com a integração de informações que otimizem produtos e serviços e gerem novos insights sobre o comportamento e tendências dos consumidores.

À MEDIDA QUE AS FRONTEIRAS ENTRE OS DIVERSOS SETORES DA INDÚSTRIA
CONTINUAM A SE CONFUNDIR, MUITAS EMPRESAS ENFRENTARÃO EMPRESAS
E SETORES QUE NUNCA VIRAM ANTES COMO CONCORRENTES

SANDRO RIBEIRO

A essa altura você deve estar se perguntando, se essas mudanças impactarão todas as empresas. A resposta é não! Muitas empresas continuarão funcionando normalmente, principalmente aquelas que têm contato próximo com o cliente. Porém, outras com volume mais expressivo e pouca ou baixa tecnologia, tenderão a atuar em segmentos mais nichados porque terão dificuldades para operar em negócios em grande escala.

Aliás, por mais que falemos em tecnologia, vale lembrar que essa é apenas o meio e os negócios não são apenas B2B, B2C ou B2B2C, mas sim Human to Human, ou seja, de pessoas para pessoas. Assim, o relacionamento pessoal e fundamental para o ganho de confiança. Porém, em segmentos maiores e com poucos dados isso tende a ser muito oneroso e aí entra a tecnologia para promover o ganho em escala, com dados que levam a pessoalidade do cliente ao centro do negócio.

Assim é óbvio que o digital não irá mudar tudo, porém é evidente que os seus efeitos no cenário competitivo já são profundos e as apostas estão cada vez maiores. À medida que as fronteiras entre os setores da indústria continuam a se confundir, muitas empresas que comandam grandes grupos de receita dentro das linhas tradicionais enfrentarão empresas e setores que nunca viram antes como concorrentes.

Com isso, a competição não é mais entre players já conhecidos, o que aliás não fará mais sentido. A cooperação passa a ser uma forma de potencializar os players já existentes frente aos digitais, sejam eles os big four que trazem uma bagagem tecnológica extensa e de potencial de investimento, bem como startups, que com sua velocidade para testar hipóteses conseguem escalar rapidamente novos negócios e alcançar também preciosos investimentos.

Nesse novo cenário, a competição como víamos antes não faz mais sentido. O que deve acontecer é a evolução para a participação em ecossistemas que vão trabalhar em cooperação entre os players já existentes dos setores bem como a orquestração e entrada de novos que possam colaborar para a experiência do cliente e potencialização do mercado.

Mas isso deixo para compartilhar em outro artigo. Espero que tenha gostado e fique à vontade em opinar e contribuir com seus comentários. Afinal, a cocriação é a melhor parte da jornada.

 

Fonte: ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA CORRETORA DO FUTURO

28ª edição | ano 5 | 2019 | abr/mai/jun