CORONAVÍRUS mudou todo o cenário econômico

A humanidade não será a mesma depois dessa pandemia, isso é óbvio. Esse é o evento histórico mais importante desde a 2ª Guerra Mundial. Como bem sabe, o mundo ficou outro depois da guerra.

Essa pandemia está revelando os diversos impactos que uma crise de saúde pública pode proporcionar: mercados em queda, o pânico, medidas de prevenção, preparo e despreparo de autoridades, etc. Epidemias são capazes de “erguer um espelho para os seres humanos e revelar quem realmente somos”, na opinião do professor emérito de história da medicina de Yale Frank M. Snowden, autor do livro “Epidemics and Society: From the Black Death to the Present”.

Nesta entrevista à famosa revista “The New Yorker”, ele examina como doenças mudaram o mundo, nos seus mais diversos sentidos. A Peste Negra durante a Idade Média, a tuberculose no século 19 e a gripe espanhola, as doenças nos ensinam sobre o que realmente somos. Conforme fala o autor, “Doenças epidêmicas não são eventos aleatórios que afligem sociedades de forma caprichosa e sem aviso. Pelo contrário, toda sociedade produz vulnerabilidades bem específicas. Estudá-las é entender sua estrutura, seus padrões de vida e suas prioridades políticas.”

Enfim, o que vai mudar? Possivelmente, haverá uma maior consciência de que o mundo é um só, que as fronteiras dos países é algo frágil. Então, soluções coletivas – sobretudo nas áreas de saúde e ecologia – serão mais buscadas. É um choque de humildade para a humanidade. Se podemos tirar algo de positivo nessa tragédia, é isso.

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O IMPACTO DO DÓLAR

A contínua valorização do dólar frente ao real é um dos nossos desafios. A alta da moeda pode ser atribuída tanto a incertezas no cenário político e econômico do país quanto ao impacto da disseminação do novo coronavírus (Covid-19) pelo mundo.

O dólar, que já teve uma valorização de mais de 20% em 2020, encerrou o mês de fevereiro cotado acima de R$ 4,50 e, no dia 16 de março, alcançou pela primeira vez na história um valor acima de R$ 5.

Com o avanço da pandemia do coronavírus, a tendência é que a moeda americana permaneça valorizada nos próximos meses, com efeitos sobre toda a cadeia econômica brasileira.

De acordo com o Boletim Focus, que traz as expectativas de economistas do mercado e é divulgado pelo Banco Central, a estimativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2020 foi reduzida em 0,31 ponto percentual, para 1,68%.

Para garantir o capital de giro para empresas, impedir demissões de trabalhadores e atender à população mais vulnerável, o governo anunciou no dia 17 de março um pacote de medidas de enfrentamento do coronavírus que envolve R$ 147,3 bilhões.

Acompanharemos os efeitos da pandemia na economia global, na economia brasileira e no setor segurador.

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AS CONCLUSÕES

»A taxa de mortalidade estimada do coronavírus é de 2%, mas se acredita que muita gente foi infectada e as estatísticas oficiais não mostram. Ou seja, a taxa seria menor e as infecções seriam maiores.

» Não há vacina para o coronavírus, e os especialistas acham que pode levar um ano ou mais para ela chegar ao consumidor final.

» Há quase 100 anos, o vírus da gripe de 1918 (a famosa “gripe espanhola”, logo após a 1ª Guerra Mundial) tinha uma taxa de mortalidade estimada em cerca de 2% (um número similar ao dado oficial do coronavírus). Mas, como, naquela época, um terço da população mundial foi infectada, a morte chegou a milhões.

» De forma direta, na área de seguros, dois efeitos serão claros. Primeiro, possivelmente o principal, na área de saúde. Esse fato não estava inserido nas taxas e os custos das seguradoras irão aumentar. Um segundo segmento seria em seguro de vida, mas isso dependerá de quais faixas etárias serão as mais afetadas. Em outras áreas de seguros, porém, talvez aconteça um efeito inverso, pois, com a diminuição no fluxo de pessoas, haverá, por exemplo, menores taxas de sinistros de automóvel.

» De forma indireta, o setor de seguros será atingido pela menor produção e queda no PIB nos países. As expectativas de crescimento nesse ano (e talvez do próximo) já começarão a ser ajustadas.

Um último registro. A gripe espanhola teve três fases. A primeira fase foi no 2º trimestre de 1918, com alta taxa de infecção, mas com taxa de mortalidade mais baixa. A segunda fase ocorreu no 3º trimestre de 1918 até o final daquele ano. Nessa fase, a infecção se acelerou, além da própria taxa de mortalidade. Esse foi o pior período. A última fase, no início de 1919, foi menos infecciosa e menos mortal do que nas fases anteriores.

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Fonte: ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA CORRETORA DO FUTURO

31ª edição | ano 6 | 2020 | jan/fev/mar