Quanto mais aceitamos a vida como ela se apresenta e não como gostaríamos que ela fosse, mais se abre nossa capacidade de criar novas possibilidades

 

Neste período de pandemia todos nós estamos vivendo situações novas, experiências que jamais poderíamos prever que viveríamos. Quantas dúvidas, quantas incertezas, medos, tristezas, inseguranças, luto… Muitas emoções vieram à tona. Sabe aquelas emoções que a gente insiste em fingir que não existem? Pois é, a pandemia as escancarou para todos nós. Dificuldades de relacionamentos em casa, dificuldade de estar em nossas casas, sim porque a maioria de nós acabava usando o lar apenas como um pouso de algumas horas e mesmo para aqueles que já trabalhavam em casa sentiram-se invadidos por uma equipe de colegas – a própria família.

Tivemos que viver, sentir e pensar tudo diferente. Tivemos que olhar para nossa vida e nos perguntar: o que realmente vale a pena? O que eu quero que continue na minha rotina e o que não faz mais sentido? Reavaliamos nossa forma de viver, trabalhar e nos relacionar com as pessoas. E principalmente nossa maneira de nos relacionar com nós mesmos. A sensação de falta de controle dos acontecimentos da vida gera em nós muitas emoções e sentimentos.

Logo nas primeiras semanas percebi que estávamos vivendo um processo de luto, nossas emoções à flor da pele, uma sensação de total impotência diante de uma realidade que se desdobrava diante de nossos olhos. E no processo de luto descrito por Elisabeth Kubler-Ross, uma pesquisadora e psiquiatra que acompanha processos de quase morte, ela aponta as fases que são: a negação, a raiva, negociação, a depressão, a aceitação. E estes sentimentos se intercalam dentro de nós. Até hoje existem pessoas que negam a gravidade da situação, e ao mesmo tempo a maioria de nós oscila entre a raiva e aceitação. Um cenário completamente compreensível numa pandemia de abrangência planetária.

Escrevo esses exemplos por passar todos estes meses ouvindo pessoas e percebendo que nossas dificuldades e desafios são muito parecidos. Quando nos permitimos ouvir, sentir e dar vazão às nossas emoções naturalmente nos sentimos mais equilibrados. Vivemos hoje, mais do que nunca, uma montanha russa de emoções. E abandonar de vez a cegueira de que elas existem pode nos trazer um acalento e nos abrir novas possibilidades.

A pandemia está por aí e, até que a vacina seja uma realidade, podemos aproveitar estes momentos de total incerteza e olhar pra dentro. Reconhecer no nosso dia a dia a descrição de saúde da OMS em 1995 que contradiz o consenso de que é ausência de doenças e nos chama atenção de que na verdade é a harmonia entre as dimensões físicas, psíquicas, sociais e espirituais. Para que façamos esta harmonia é preciso ir além de cuidados físicos tão necessários, mas buscar também harmonizar nossas emoções, sentimentos e pensamentos, compreendendo que sempre há um sentido e uma oportunidade de evolução nas provações da vida.

Você há de concordar comigo que muitas coisas novas aprendemos nesta pandemia, muitas habilidades que não exercitávamos porque não tínhamos tempo. Quantas coisas sobre si mesmo você pôde compreender? Quantas relações estão sendo curadas? Quanto valor você está dando hoje para a convivência? Você percebeu que presença é algo sutil que faz toda a diferença? Podemos estar juntos e não estar presentes e podemos estar separados e mais presentes do que nunca.

Inspirada por Carl Gustav Jung, gosto de pensar que existe uma ordem no caos aparente. Quanto mais aceitamos a vida como ela se apresenta e não como gostaríamos que ela fosse, mais se abre nossa capacidade de criar novas possibilidades! E isso vale para o mundo de nossas emoções. Não se perca de você mesmo.

Perceba-se. Faça-se perguntas relevantes sobre o sentido que quer dar para sua vida, E se for muito difícil guiar esta montanha russa de emoções, permita-se pedir ajuda. Nós humanos precisamos uns dos outros.

Um abraço carinhoso pra você!

 

 

Fonte: ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA CORRETORA DO FUTURO

33ª edição | ano 6 | 2020 | jul/ago/set

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