NEM 100% DIGITAL, NEM 100% HUMANO. AS RELAÇÕES DE NEGÓCIOS DO FUTURO MESCLARÃO O DIGITAL COM O HUMANO. TUDO QUE UMA MÁQUINA PUDER FAZER, ELA FARÁ. E O HUMANO FARÁ O QUE NENHUMA MÁQUINA JAMAIS FARÁ: O HUMANO!

Daniel Castello

Um a um, todos os setores da economia vão assimilando as práticas digitais. Mídia e entretenimento puxaram a fila, e praticamente todos nós consumimos filmes e séries por plataformas de streaming e as notícias mais recentes nos chegam por redes sociais. Na sequência, a forma como consumimos produtos tecnológicos começou a mudar e provavelmente faz muito tempo que você não compra algo em CD que precisa ser instalado no seu computador. Estas novas formas de funcionar no mundo, potencializadas pelos smartphones, mudaram a forma de operar das telecoms, que já não são mais empresas de telefonia. Aliás, você ainda tem uma linha fixa de telefone em casa? Por que mesmo?

O varejo mergulhou de cabeça no digital e junto com ele vieram operações logísticas e meios de pagamento. Como um imenso dominó: turismo, educação, transportes, bens de consumo, saúde… Até setores que ninguém acreditava, como o imobiliário, se renderam, e a forma mais fácil de encontrar, para comprar ou locar, um apartamento hoje é pela Internet.

Nosso setor está atrasado, mas que ninguém se engane: a tempestade está se formando. Desde o ano passado o Ifood oferece seguros para os entregadores e no início deste ano expandiu para os restaurantes parceiros. O Nubank vendeu mais de 90.000 apólices de seguro de vida em 90 dias. Dezenas de insurtechs testam todos os dias novas ofertas e recentemente a XP, ao comunicar a mudança de CEO, deixou claro que uma oferta robusta de seguros está na sua estratégia.

É difícil olhar para este cenário e não ser tomado de alguma ansiedade. Cada mercado impactado pela transformação digital eliminou empregos e elitizou sua força de trabalho, aumentando o fosso da desigualdade social. Funções de gestão, administrativas e operacionais vão desaparecendo onde a digitalização vai surgindo. Qual é a resposta adequada que cada um de nós tem que dar para sobreviver e, mais do que isto, prosperar neste cenário?

A resposta, ao mesmo tempo simples e aparentemente paradoxal, é investir nas habilidades e conexões humanas. Deixe-me explicar…
O mundo digital é um mundo de transações digitais. A ideia por trás da digitalização sempre é tornar a jornada do consumidor o mais fluida possível, para que ele tenha a menor quantidade de dúvidas e possa consumir de forma mais impulsiva e com menor nível de atrito.

A tecnologia é sensacional para afinar processos, mas ela não toma decisões por nós. Ela não respeita ou atende nossas necessidades emocionais. Ela não respeita nossos tempos internos, nossa necessidade de meditar sobre algo. Ela não questiona nossa ignorância, não pergunta se temos certeza do que estamos fazendo. Ela não chega perto, segura nossa mão e nos ajuda a tomar a melhor decisão, principalmente quando nós não temos noção de como tomá-la.

Este é o território do humano. Ajudar a tomar decisões na incerteza. Ajudar a acalmar as ansiedades originadas pela dúvida. Conduzir na ignorância. Questionar as certezas. Fazer a coisa certa e não a coisa mais confortável. Cuidar, mesmo quando é difícil ou desagradável. Ajudar a elevar, a melhorar, a continuar, a ir além. Por bondade, por senso ético, por profissionalismo e maturidade.

No mundo do futuro, as máquinas vão transacionar em alta velocidade e os humanos tomarão, juntos, as decisões difíceis que a realidade humana impõe. No mundo do futuro vamos precisar de seres humanos de boa qualidade. Não aqueles que funcionam como máquinas, mas sim aqueles que expressam o melhor do ser humano a cada momento do dia.

 

Fonte: ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA CORRETORA DO FUTURO

35ª edição | ano 7 | 2021 | jan/fev/mar